terça, 23 de julho, 2019

Se quando vivo, Fidel Castro dividia opiniões, o mesmo parece estar acontecendo agora, após a morte.

 
Depois das manifestações protocolares - algumas mais críticas, outras mais simpáticas ao líder - países ocidentais vêm enfrentando controvérsias para definir quais figuras diplomáticas vão formar eventuais delegações que serão enviadas para Cuba.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil vai ser representado pelo chanceler José Serra e pelo recém-empossado ministro da Cultura, Roberto Freire. De acordo com a pasta, os dois vão comparecer ao enterro das cinzas de Fidel Castro, marcado para o dia 4 de dezembro, em Santiago de Cuba.
Vladimir Putin, líder da Rússia, aliada de longa data da ilha comunista; a premiê do Reino Unido, Theresa May; e o mandatário do Canadá, Justin Trudeau fazem parte dos chefes de estado que não devem comparecer à cerimônia em homenagem a Fidel.
Segundo o jornal britânico Guardian, há uma preocupação com o escalão dos políticos enviados ao funeral. "O nível dos políticos é cuidadosamente calibrado nos círculos diplomáticos e a maioria dos países - à exceção dos países latino-americanos com governos de esquerda - escolheu delegações de nível médio para a cerimônia".
Embora figuras de alto escalão devam ficar de fora do enterro, a grande maioria dos países ocidentais deve mandar algum representante para Cuba. Alemanha e Reino Unido mantêm ainda uma postura cautelosa, sem afirmar quem irá ao enterro. A delegação da Espanha será chefiada pelo ex-rei Juan Carlos e a Argentina será representada pela ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra.
Figura-chave na restauração dos laços diplomáticos entre Cuba e EUA, o presidente americano, Barack Obama, se depara com mais essa decisão, a 50 dias de deixar a Casa Branca.
Ex-líder dos republicanos na Câmara e figura bastante próxima ao presidente eleito, Donald Trump, Newt Gingrich afirmou, em sua conta no Twitter, que "sob nenhuma circunstância, o presidente Obama, o vice-presidente Biden ou o Secretário de Estado Kerry" deveriam ir a Cuba, pois Castro era, em suas palavras, "um tirano".
 
— Newt Gingrich (@newtgingrich) November 26, 2016
Republicano de origem cubana, Ted Cruz comparou o enterro de Fidel com as cerimônias fúnebres de "ditadores comunistas assassinos" como Stalin ou Mao Tse Tung.
Embora não seja esperado no evento, por ainda não ter assumido o cargo, Trump se manifestou a respeito da morte de Fidel, em tom de comemoração, e disse ainda que cogita desfazer os acordos selados na administração Obama, caso não sejam impostas "condições melhores para os EUA".
 
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) November 28, 2016
Segundo análise do Financial Times, o funeral de Fidel Castro deve reunir um "grande número de chefes de estado, tornando-se o maior evento do gênero desde a morte de Nelson Mandela".
Estão confirmadas as presenças de líderes latino-americanos como o presidente do Equador, Rafael Correa, o mandatário da Venezuela, Nicolas Maduro, o presidente da Bolívia, Evo Morales e o líder da Nicarágua, Daniel Ortega. Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, também se prepara para embarcar para Cuba.
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