sábado, 24 de agosto, 2019

Guia da delação: acusações que abalaram mundo político

 
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta sexta-feira o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS.
O grupo, que se tornou a maior empresa processadora de carne do mundo durante as gestões do PT no Planalto, é alvo de cinco operações da Polícia Federal, que investigam pagamento milionário de propinas a agentes públicos.
 
 
Assim como as delações de executivos da Odebrecht, as confissões da JBS atingem em cheio o sistema político brasileiro e partidos que se revezam no poder e na oposição desde a redemocratização.
Joesley Batista afirmou que como "controlador do maior grupo empresarial privado não-bancário do país", procurava obter "boa vontade do conjunto da classe política" com a empresa. 
Por isso, disse, esforçava-se para atender a maioria de pedidos de dinheiro de políticos e partidos, para obter "facilidade em caso de necessidade ou conveniência" e "evitar antipatia".
Os indícios apresentados pelos executivos da JBS ainda precisam ser investigados, e não há até o momento nenhuma conclusão sobre a veracidade dos relatos.
Confira aqui os principais pontos que envolvem o presidente Michel Temer (PMDB). Abaixo, outros destaques das confissões dos executivos: 
Contas milionárias para Dilma e Lula
Após operação em 2009 em que o BNDES comprou US$ 2 bilhões em títulos da JBS, Joesley disse que abriu uma offshore (conta que pode ser usada para esconder origem de ativos) no exterior com crédito de US$ 50 milhões - valor que, segundo o empresário, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega disse que seria para o ex-presidente Lula.
No final de 2010, Mantega, afirma o executivo, pediu a abertura de uma nova conta, que agora seria para Dilma. "JB (Joesley Batista) indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido disse que sim", afirma o documento apresentado por Joesley ao Ministério Público Federal.
Essa conta, diz Joesley, foi abastecida com propina de US$ 30 milhões originada de um financiamento de US$ 2 bilhões que a JBS recebeu em 2011 do BNDES para comprar uma planta de celulose.
Essas duas contas, segundo a delação, somavam US$ 150 milhões em 2014, valores oriundos de "ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema gêmeo que funciona nos fundos Funcef e Petros (fundos de pensão de funcionários da Caixa Econômica Federal e Petrobras)".
Encontro &39;olhos nos olhos&39; com Lula