sábado, 24 de agosto, 2019

Influência de filhos sobre Bolsonaro gera incertezas

O empresário e suplente do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Paulo Marinho (PSL-RJ), disse neste domingo (17.fev.2019) reprovar os papéis que os filhos do presidente vêm exercendo no governo.
“Eu vejo como todo mundo [a atuação de Carlos Bolsonaro (vereador, PSC-RJ), Flávio Bolsonaro (senador, PSL-RJ) e Eduardo (deputado federal, PSL-SP)], com muito maus olhos”, disse.
A declaração foi dada a jornalistas no hotel Royal Tulip, em Brasília, onde está hospedado e no qual mora o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que está prestes a ser demitido.
Marinho disse que Bebianno foi injustiçado. “Vida que segue, é isso que acontece quando você anda com más companhias”. Questionado sobre quais seriam as más companhias, o empresário se recusou a responder.
Perguntado sobre se a demissão de Bebianno deve mesmo sair na edição de 2ª feira (18.fev) do Diário Oficial da União, ele disse que “com certeza” e “que não tem nenhuma informação diferente disso”.
De acordo com Marinho, Bebianno vai querer dar a sua “versão da história”, mas não vai querer prejudicar o governo de Jair Bolsonaro. “Do lado de cá, a gente não tem esse sentimento. Estamos tranquilos e serenos”, afirmou.
O suplente de senador se mostrou otimista com o desfecho da crise que atinge o governo e afirmou que “amanhã tudo se resolve e essa história vai serenar”.
O PORQUÊ DA CRISE COM BEBIANNO
Bebianno está na berlinda desde que a Folha de S. Paulo publicou reportagem em que explica 1 suposto esquema de candidatas-laranja orquestrado nas eleições de 2018. O hoje ministro era presidente nacional do PSL à época. Ele nega. Disse que conversou 3 vezes com Bolsonaro e que estava tudo bem.
A situação de 1 dos assessores mais próximos de Jair Bolsonaro na época de campanha começou a se agravar quando o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) tuitou para acusar o ministro de mentir sobre as conversas com o presidente. Divulgou áudio para expor o ministro. Bolsonaro, o pai, retuitou.

Em entrevista à TV Record na 4ª feira (13.fev), Bolsonaro citou pela 1ª vez a possibilidade de demitir o ministro. “Se [Bebianno] estiver envolvido e responsabilizado, o destino não pode ser outro que não voltar às suas origens”, disse o capitão reformado do Exército.
VAZAMENTO DE ÁUDIOS
O principal motivo para a raiva do presidente, no entanto, veio ao saber detalhes de vazamentos de áudios que compartilhou com Bebianno. Bolsonaro decidiu contar a história completa para todos os seus ministros que estavam em Brasília na 6ª feira (15.fev).
Diante de ministros em silêncio, o presidente relatou ter havido “quebra de confiança”. Ninguém discordou. Era como se todos endossassem, calados, a eventual demissão de Bebianno.